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Tornar os cuidados de saúde mais acessíveis: porque as organizações devem assumir um papel relevante 

Para milhões de pessoas a nível global, pagar pelos cuidados de saúde não é um dado adquirido – é uma luta constante.

Quer estejam a lidar com custos médicos elevados, com uma cobertura de seguro insuficiente ou com recursos de saúde pública limitados, muitos são forçados a adiar ou a renunciar aos cuidados essenciais simplesmente porque não podem pagá-los. Este desafio não se limita a países com baixos rendimentos ou mercados específicos — é um problema global, transversal a diferentes setores de atividade, funções e nível de rendimentos.

 

As organizações têm a oportunidade de mudar o panorama. Como entidades de confiança em muitos mercados para a disponibilização de cuidados de saúde, as organizações estão posicionadas de forma única para colmatar lacunas de acessibilidade a estes cuidados e torná-los mais acessíveis. Os responsáveis de negócio precisam de reconhecer a ligação estreita entre as pressões financeiras e os resultados de saúde. Em seguida, necessitam tomar medidas proativas para aliviar esses encargos, por desenvolver estratégias de benefícios que sejam económicas, justas e inclusivas.

O custo com cuidados de saúde continua a aumentar...

Embora a inflação possa estar a estabilizar em algumas áreas, os custos médicos continuam a aumentar. De acordo com o mais recente estudo MMB Health on Demand, a tendência de custos médicos a nível global (excluindo os EUA) está previsto atingir os 10,9% este ano. Nos EUA, onde os gastos com cuidados de saúde já são os mais elevados do mundo, espera-se que esta tendência após as alterações no desenho do plano atinja os 5,8%.

 

Vários fatores estão a impulsionar estes aumentos, desde o envelhecimento da população e os riscos de saúde em evolução, aos avanços na tecnologia na área da medicina e a crescente procura de serviços médicos. A menos que as organizações tomem medidas urgentes para ajudar a gerir estas pressões, o aumento do custo com cuidados de saúde poderá em breve tornar-se insustentável tanto para as empresas como para os seus colaboradores.

...e os colaboradores estão a sentir o impacto

Para muitos colaboradores, a acessibilidade aos cuidados de saúde não é uma preocupação abstrata — é uma preocupação diária. O mais recente estudo MMB Health on Demand concluiu que mais de um em cada cinco colaboradores (22%) não estão confiantes de que podem pagar os cuidados de saúde de que eles ou a sua família precisam, enquanto quase um terço (28%) atrasou a procura destes cuidados nos últimos dois anos devido a restrições financeiras. E este fardo recai desproporcionalmente sobre os colaboradores com rendimentos mais baixos, colaboradores a tempo parcial e por conta própria, mulheres e pessoas que vivem com doenças crónicas ou incapacidades.

A saúde permite a produtividade, mas alguns colaboradores estão menos confiantes de que podem pagar pelos cuidados de saúde de que precisam

A percentagem de colaboradores que não confiam que podem pagar pelos cuidados de saúde...

Fonte: Mercer Marsh Benefits Health on Demand 2025, Benefícios Mais Inteligentes, Força de Trabalho Mais Forte

A imagem apresenta uma série de estatísticas que destacam a percentagem de indivíduos afetados por vários fatores, categorizados por rendimento familiar, género, situação profissional e estado de saúde.

Rendimento familiar: Para aqueles com rendimento familiar acima da média, 15% são afetados, enquanto um número significativamente mais alto, 33% com rendimento abaixo da média experienciam o mesmo.

Género: Ao considerar o género, os homens apresentam um impacto de 18%, enquanto as mulheres são mais afetadas em 26%.

Situação profissional: As estatísticas revelam que os trabalhadores a tempo inteiro têm um impacto de 20%. Este número aumenta para os 29% nos colaboradores a tempo parcial e atinge os 31% para os colaboradores por conta própria.

Estado de saúde: Em termos de saúde, os indivíduos que não têm um problema de saúde ou incapacidade têm um impacto de 19%, enquanto aqueles que têm uma condição de saúde ou incapacidade enfrentam uma taxa de impacto mais elevada de 25%.

De uma forma geral, os dados ilustram como vários fatores demográficos e socioeconómicos se correlacionam com a percentagem de indivíduos afetados, destacando disparidades com base no rendimento, género, situação profissional e estado de saúde.

Adiar os cuidados de saúde acarreta riscos graves. Quando os problemas de saúde não são tratados, muitas vezes pioram, levando a custos mais elevados e mais tempo passado fora do trabalho. Mas os efeitos da acessibilidade aos cuidados de saúde vão além da saúde física — moldam aos sentimentos dos colaboradores em relação aos seus empregos e às suas organizações. Os colaboradores que estão confiantes de que podem pagar cuidados de saúde têm uma maior probabilidade de prosperar na sua função atual (72% vs. 34% para aqueles que não têm este grau de confiança) e de sentir que a sua organização se preocupa com a sua saúde e bem-estar (69% vs. 38%).

Um alerta para as organizações: desenvolver estratégias de cuidados de saúde inteligentes e sustentáveis

Face ao aumento dos custos com cuidados de saúde, algumas organizações podem sentir pressão para reduzir os benefícios ou transferir mais custos para as suas pessoas. Mas este é um passo ambicioso que arrisca minar a confiança, aumentar o stress dos colaboradores e, em última análise, atrasar o acesso aos cuidados necessários. Em vez disso, as organizações devem focar-se na otimização dos custos — disponibilizar benefícios de elevada qualidade e conscientes dos custos, sem sacrificar a sua acessibilidade. Apresentamos cinco passos que as organizações podem tomar para desenhar uma estratégia de cuidados de saúde acessível, sustentável e inclusiva:
  • Avaliar e melhorar a acessibilidade aos cuidados de saúde para todos os colaboradores
    Tudp começa com a identificação de lacunas de cobertura em diferentes grupos de colaboradores e geografias, depois trabalhar para colmatá-las de uma forma justa, consistente e escalável. Em muitas partes do mundo, particularmente quando os cuidados de saúde públicos são limitados ou inconsistentes, as organizações desempenham um papel fundamental no preenchimento de lacunas sistémicas. Ao introduzir padrões mínimos de benefícios, as organizações podem garantir que ninguém seja deixado para trás, independentemente da sua localização, função ou situação laboral.
  • Otimize os custos com cuidados de saúde sem comprometer a qualidade dos mesmos
    A contenção de custos não implica a realização de cortes. As organizações devem procurar identificar áreas onde a eficiência de custos pode ser alcançada sem reduzir o valor ou o acesso a estes cuidados pelas suas pessoas. As organizações podem assumir um papel proativo ao trabalhar com os fornecedores de forma a garantir melhores preços, orientar os colaboradores para fornecedores com elevada qualidade e usar os dados de saúde para desenhar intervenções mais inteligentes e direcionadas. Os acordos de financiamento alternativo, como o autosseguro, o risco agrupado ou as cativas, também podem oferecer mais flexibilidade e controlo sobre os custos com cuidados de saúde a longo prazo. Com a estratégia certa, as organizações podem proteger os seus colaboradores e os seus orçamentos.
  • Apoiar cuidadores e dependentes
    Muitos colaboradores tem a responsabilidade de um encargo financeiro para a prestação de cuidados, seja para crianças, pais idosos ou familiares com doenças crónicas. As organizações podem ajudar por oferecer planos de contribuição definida ou programas de desconto para compensar estes custos, particularmente para dependentes que podem não estar cobertos pelo plano de saúde da empresa. Estes programas não só ajudam as famílias, como também reforçam a lealdade e o engagement entre os colaboradores que precisam destes cuidados.
  • Garantir a proteção adequada para doenças e lesões catastróficas
    As organizações devem avaliar se os seus benefícios atuais oferecem proteção financeira significativa nos piores cenários, como diagnósticos de cancro, lesões graves ou doenças prolongadas. Sem cobertura suficiente, os colaboradores podem enfrentar custos pessoais devastadores que prejudicam a sua estabilidade financeira durante anos. As organizações podem mitigar este risco por garantir que todos os colaboradores, independentemente da antiguidade, tipo de contrato ou localização, têm acesso à proteção de base para situações de saúde com custo elevado e que podem alterar a sua vida. Este é um passo fundamental no desenho de benefícios que são abrangentes e compassivos.
  • Melhorar a resiliência financeira em geral
    Finalmente, as organizações devem reconhecer que a acessibilidade aos cuidados de saúde está profundamente ligada, à segurança financeira dos colaboradores. As organizações podem intervir por oferecer salários em vida, por expandir os programas de poupança de emergência e por oferecer programas de literacia financeira. Quando os colaboradores têm o salário necessário para viver, é mais provável que paguem pelos cuidados médicos de que eles e as suas famílias precisam. Em suma, a saúde financeira estabelece as bases para a saúde física e emocional e ambas são fundamentais para uma força de trabalho próspera.

Cuidados acessíveis são uma vantagem estratégica

A acessibilidade aos cuidados de saúde não é apenas um problema de benefícios – é um imperativo de negócio. As organizações com uma visão futurista já estão a tomar medidas para colmatar lacunas de cobertura, reduzir barreiras relacionadas com custos e promover forças de trabalho mais resilientes e mais saudáveis. Ao fazerem investimentos direcionados e equitativos na acessibilidade, as organizações podem criar estratégias de cuidados de saúde mais inteligentes que apoiam as suas pessoas a todos os níveis e contribuem para um futuro mais saudável e seguro para todos.
Sobre o(s) autor(es)
Julie Potvin

Senior Director H&B Consulting at Mercer Marsh Benefits

Jamil Kabbaj Renou

Risk Management & Mercer Marsh Benefits Multinational Leader

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