Estamos a evoluir. A Mercer faz agora parte da nova marca Marsh

Transparência salarial e arquitetura funcional 

11 maio 2026

A transparência salarial tornou-se rapidamente uma prioridade estratégica para organizações em todo o mundo, impulsionada pela evolução da legislação, pelas expectativas dos candidatos e dos colaboradores e pelos objetivos de diversidade, equidade e inclusão (DEI). No entanto, a implementação da transparência salarial nas organizações pode ser complexa, especialmente no que diz respeito ao alinhamento com a arquitetura funcional de uma organização.

A transparência salarial refere-se à prática de partilhar, de forma transparente, informações sobre a remuneração dos colaboradores, quer interna quer externamente à organização. As organizações devem abordá-la de imediato para construir confiança, atrair e reter talento e cumprir os requisitos legais.

De acordo com o estudo da Mercer Global Readiness Assessment (2025), 20% das organizações ainda não começaram a trabalhar na diretiva de transparência salarial, mas esperam fazê-lo nos próximos 12 meses. Para 45% das organizações, o principal desafio que enfrentam prende-se com o processo de valorização das funções, e, para 52% das organizações a nível global, o foco está no desenho da arquitetura funcional.

Compreender a transparência salarial e a indexação à arquitetura funcional

A arquitetura funcional é uma abordagem estruturada que visa organizar as funções e os papéis dentro de uma organização, de forma a garantir clareza, consistência e alinhamento na gestão do talento. Integra várias componentes essenciais:
  • Descritivos funcionais:
    Descrições detalhadas que identificam as principais responsabilidades, competências e qualificações de cada função;
  • Grupos funcionais:
    Níveis de responsabilidade que diferenciam as funções com base na complexidade, na natureza de atuação e no impacto;
  • Famílias funcionais:
    Grupos de funções relacionadas que partilham responsabilidades e/ ou conhecimentos semelhantes;
  • Perfis funcionais:
    Conjuntos de conhecimentos, comportamentos e atributos esperados em vários níveis de proficiência, que suportam o desempenho e o desenvolvimento;
  • Percursos funcionais:
    Caminhos definidos de evolução que orientam os colaboradores nas oportunidades de crescimento, na sua área de conhecimento ou entre diferentes.
A arquitetura funcional desempenha um papel crítico nas decisões de remuneração, fornecendo uma base transparente e equitativa para o desenho das políticas de remuneração, nomeadamente através do alinhamento da valorização da complexidade das funções com os padrões de mercado. Desta forma, suporta práticas salariais justas e facilita as iniciativas de transparência salarial.

Principais desafios na implementação da transparência salarial

  1. Complexidade no desenho da arquitetura funcional:
    Fruto das dinâmicas do negócio e das diferentes realidades organizacionais, a gestão centralizada das funções constitui uma das principais dificuldades sentidas. O processo de criação, atualização ou extinção de funções afeta diferentes dimensões da gestão do talento, inclusive o alinhamento com as fontes de informação existentes (por exemplo, payroll e sistema de RH), sendo crítico desenvolver e aplicar uma taxonomia consistente entre os vários programas, processos e sistemas de RH;
  2. Inconsistência na valorização das funções:
    Os sistemas de valorização de funções, por vezes, carecem de consistência na sua aplicação entre unidades organizacionais ou geografias;
  3. Herança de estruturas salariais:
    Decisões salariais históricas, baseadas na antiguidade, na capacidade de negociação ou em critérios não padronizados, entram frequentemente em conflito com estruturas salariais transparentes;
  4. Pressão de mercado e equidade interna:
    Equilibrar as práticas do mercado externo com a justiça salarial interna pode ser complexo;
  5. Precisão e integração de dados:
    Dados de remuneração precisos e atualizados são críticos para a transparência salarial;
  6. Resistência cultural e organizacional:
    Os colaboradores e os gestores não têm esta prática, dependendo do estágio de maturidade da organização para a divulgação das suas práticas e políticas;
  7. Considerações legais e de conformidade:
    As leis sobre transparência salarial podem variar na sua transposição para as jurisdições locais. As organizações multinacionais, ou com presença em diversas geografias, devem ter esta complexidade em consideração, de forma a evitar eventuais riscos;
  8. Riscos de comunicação:
    Uma comunicação mal planeada pode levar a mal-entendidos e à descrença;
  9. Restrições orçamentais:
    Ajustar as estruturas salariais para alinhar com os objetivos de transparência pode implicar impactos financeiros.

Jornada para um alinhamento eficaz da arquitetura funcional com a transparência salarial

Para superar estes desafios, as organizações podem adotar as seguintes abordagens:
  • Modelos de governo:
    estabelecer um fórum transversal de transparência salarial que inclua recursos humanos, especialistas em remuneração, departamento jurídico e os líderes de negócio;
Sobre o(s) autor(es)
José Pedro Sousa

, Strategic people advisor principal da Mercer Portugal

Related products for purchase
    Related Solutions
      Insights relacionados
        Related Case Studies
          Curated