O imperativo da transparência salarial
13 julho 2026
A transparência salarial não elimina tensões nem resolve todos os desafios da compensação, mas reduz arbitrariedades, aumenta a previsibilidade e reforça a confiança e perceção de justiça.
Pressões que moldam a transparência salarial
O desafio da transparência salarial resulta da convergência de três forças:
Legal: A diretiva estabelece obrigações claras quanto ao acesso, reporte e justificação das diferenças salariais entre géneros. Embora o risco legal seja real, é limitado e, em muitos casos, tecnicamente gerível. O maior desafio consiste em cumprir a lei de forma sustentável, sem expor incoerências internas difíceis de justificar.
Cultura interna: O maior desafio reside na gestão cultural. Quando bem gerida, a transparência reforça o sentido de justiça, a confiança e a motivação dos colaboradores. Quando mal gerida, pode aumentar tensões e minar a credibilidade da liderança. A transparência não cria problemas novos; apenas torna visíveis os já existentes, ao exigir critérios claros para as decisões salariais.
Mercado de talento: Um estudo global da Mercer (2024) indicou que 50% dos colaboradores evitam candidatar-se a vagas sem informação salarial clara. Por outro lado, mais de 50% das organizações reconhecem essa expectativa, sendo que 97% incluem o tema nas suas estratégias de curto e médio prazo. Assim, a transparência salarial não é só uma questão de posicionamento competitivo, mas também de proposta de valor para o colaborador.
O erro mais comum: tratar a transparência salarial como um exercício isolado
Quatro pilares para uma abordagem estruturada
As organizações que conseguem responder à diretiva de forma sólida e transformar a transparência salarial numa vantagem competitiva abordam o tema de forma integrada, assente em quatro pilares estratégicos:
- Arquitetura funcional: estruturas claras de funções, grupos e famílias profissionais bem definidos, bem como níveis funcionais consistentes e assentes em critérios objetivos, são essenciais para definir comparáveis e justificar diferenças salariais de forma credível.
- Políticas e benefícios: as políticas de compensação, os benefícios e outros elementos devem ser claros, coerentes e alinhados com a arquitetura funcional, servindo como instrumentos centrais de enquadramento, decisão e explicação.
- Equidade salarial: deve ser uma análise contínua, com métricas claras, capacidade de explicar diferenças quando existirem e suportada em ferramentas robustas.
- Pessoas e cultura: envolve a capacitação das equipas de RH, líderes e gestores, bem como a definição de uma estratégia de comunicação interna e externa eficaz. A transparência falha mais nas conversas do que nos números.
, Strategic people advisor principal da Mercer Portugal