Saúde e benefícios: como controlar custos sem transferir o risco ao colaborador.
Sua organização está reduzindo o custo de hoje ou gerenciando o risco de saúde que determinará o custo de amanhã?
Sua empresa está apenas reduzindo o custo de hoje ou administrando o risco em saúde que vai determinar o custo de amanhã?
A alta contínua dos custos médicos está levando as organizações a reavaliar a sustentabilidade de seus programas de saúde e benefícios. Nesse contexto, repassar uma parcela maior das despesas ao colaborador pode até gerar alívio orçamentário no curto prazo, mas tende a ampliar os riscos no médio e no longo prazo.
Os insights do Latin American Forum 2026 apontam outro caminho: gerir saúde e benefícios com uma lógica de risco. Isso significa eliminar desperdícios, otimizar a cobertura, facilitar a jornada de cuidado, reforçar a prevenção e conectar bem-estar, produtividade e resiliência financeira.
Uma pressão de custos que já não se resolve com ajustes marginais
A sessão “Além da transferência de custos: uma abordagem orientada por dados para o risco em saúde e benefícios”, apresentada por Carolina Gómez Echeverri, Leonardo Haddad e Livia de Bastos Martini, evidenciou um cenário difícil de sustentar: os custos de saúde vêm crescendo entre 10% e 11% ao ano, enquanto os salários avançam em torno de 3% a 4%. Para a América Latina, a inflação médica projetada para 2026 chega a 10,6%.
Essa pressão também não se distribui de forma homogênea. Aproximadamente 20% dos beneficiários concentram 80% do gasto, enquanto as doenças crônicas respondem por 60% a 70% do custo total. Entre os principais fatores de pressão estão câncer, doenças respiratórias, distúrbios musculoesqueléticos e doenças cardiovasculares, metabólicas e endócrinas.
Mas o desafio vai além da dimensão financeira. O aumento dos custos com saúde e benefícios aparece entre os principais riscos de capital humano na América Latina, ao lado da deterioração da saúde mental. Por isso, a sustentabilidade do programa deixa de ser um tema exclusivo de Recursos Humanos e passa a envolver também Finanças e Gestão de Riscos.
Transferir custos reduz a despesa imediata, mas pode elevar o risco no futuro
Aumentar franquias, mensalidades ou coparticipações pode ajudar a conter o orçamento no curto prazo. O problema é que isso também pode reduzir entre 20% e 30% o uso para cuidados necessários. Quando as pessoas adiam diagnósticos, tratamentos ou acompanhamento médico, aumentam as idas ao pronto-socorro, as internações e a probabilidade de eventos de alto custo.
O impacto se reflete também no desempenho. A sessão destacou que o custo do absenteísmo pode ser de duas a três vezes maior do que a despesa médica direta. Além disso, aumentar a carga financeira para o colaborador pode reduzir a satisfação com os benefícios e enfraquecer a percepção de valor da organização.
Em outras palavras, a discussão não é apenas sobre quem paga a conta. É sobre quais riscos estão sendo criados — ou deslocados — dentro do sistema.
De controlar preços a reduzir o custo total do cuidado
| Alavanca | O que a organização deve revisar | Impacto esperado |
| Eliminação de desperdícios | Procedimentos evitáveis, exames duplicados, ineficiências farmacêuticas e uso inadequado do local de atendimento. | Redução de 10% a 30% dos gastos potencialmente ineficientes. |
| Otimização da cobertura | Alinhamento do investimento aos principais vetores de custo e reforço da prevenção e do cuidado de condições crônicas. | Melhora de resultados e redução de complicações futuras. |
| Melhoria da navegação | Direcionamento do colaborador para atenção primária, pronto atendimento adequado, telemedicina e prestadores de maior valor. | Redução de 10% a 15% do uso desnecessário e melhora da continuidade do cuidado. |
| Fortalecimento da prevenção | Investimento em diagnóstico precoce, saúde mental, bem-estar integral e monitoramento de populações de risco. | Prevenção de eventos de alto custo e proteção da produtividade. |
| Personalização da experiência | Segmentação de necessidades, oferta de opções relevantes, comunicação clara e apoio à tomada de decisão. | Maior adesão, satisfação e percepção de valor. |
A experiência do colaborador também é parte da gestão de risco
Mesmo um programa com cobertura ampla pode gerar uma experiência insatisfatória se as pessoas não souberem como utilizá-lo, enfrentarem barreiras de acesso ou não entenderem qual opção faz mais sentido para sua necessidade.
Por isso, a navegação do plano passa a ser uma alavanca importante de sustentabilidade. A integração entre telemedicina, atendimento presencial, monitoramento remoto e jornadas digitais pode facilitar o acesso, aumentar a adesão e evitar o uso ineficiente do sistema. A tecnologia deve simplificar a experiência, ajudando a segmentar públicos, identificar necessidades e personalizar benefícios — não criar mais complexidade.
A prevenção também está evoluindo. Ferramentas como análise preditiva, inteligência artificial e genômica podem apoiar o diagnóstico precoce e orientar intervenções antes do surgimento de complicações. Para isso, é essencial garantir qualidade de dados, privacidade, equidade e supervisão humana.
Bem-estar e resiliência financeira: duas faces do mesmo risco
Saúde física e mental não podem ser analisadas separadamente da realidade financeira das pessoas. Os materiais do fórum mostram que 60% dos colaboradores relatam estresse financeiro, com impactos diretos sobre produtividade e absenteísmo. Aumentar sua carga econômica dentro do programa de saúde pode agravar ainda mais esse cenário.
Uma gestão mais inteligente de saúde e benefícios deve integrar bem-estar físico, mental, financeiro e social. Também precisa conectar saúde, talentos, remuneração e risco para antecipar vulnerabilidades e direcionar investimentos para os públicos e condições com maior potencial de impacto.
Essa abordagem está alinhada à transformação proposta no fórum: os empregadores precisam evoluir de simples provedores de benefícios para arquitetos de sistemas de resiliência, capazes de conectar saúde, finanças, competências, dados e experiência do colaborador.
Esta visión coincide con el cambio planteado en el foro: los empleadores deben evolucionar de proveedores de beneficios a arquitectos de sistemas de resiliencia capaces de conectar salud, finanzas, habilidades, datos y experiencia del empleado.
os empregadores precisam evoluir de simples provedores de benefícios para arquitetos de sistemas de resiliência, capazes de conectar saúde, finanças, competências, dados e experiência do colaborador.
Cinco decisões para ir além da transferência de custos
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Medir o custo total do cuidado.
Considere despesas médicas, absenteísmo, presenteísmo, produtividade, experiência e risco futuro. -
Identificar desperdícios e variações
Analise procedimentos evitáveis, exames duplicados, farmácia, prestadores e locais de atendimento. -
Investir em prevenção e doenças crônicas.
Priorize as populações e patologias que concentram maior risco e acompanhe resultados no médio prazo. -
Desenhar uma navegação simples e personalizada
Ajude as pessoas a entender a cobertura, escolher o cuidado adequado e manter a continuidade do tratamento. -
Gerir saúde e benefícios como risco de negócio
Alinhe Recursos Humanos, Finanças, Riscos e parceiros em torno de indicadores e responsabilidades comuns.
Uma estratégia sustentável protege custos, bem-estar e produtividade ao mesmo tempo
Transferir custos para o colaborador pode até aliviar uma linha do orçamento, mas não resolve as causas da alta nem protege a sustentabilidade do programa. A alternativa é adotar uma visão mais ampla de risco: gastar com mais inteligência, direcionar melhor o cuidado, prevenir complicações e oferecer uma experiência que as pessoas realmente consigam utilizar.
As organizações que conseguirem conectar dados, prevenção, cobertura, navegação e bem-estar estarão mais preparadas para controlar custos sem comprometer o acesso, a produtividade e a proposta de valor ao colaborador.
is Multinational Leader, Latin America and the Caribbean at Mercer Marsh Benefits.